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O porquê de uma Metodologia em Investigação

Falar de metodologias de investigação implica falar de caminhos ou vias que permitem estudar um determinado assunto, implica realizar um estudo e processo racional. Se esse processo se realizar frequentemente com objectivos alcançáveis torna-se num método, num processo operatório necessário para obter determinados resultados, que favorece o pensamento metódico. Carmo e Ferreira (1998) referem que o método é uma concepção intelectual coordenando um conjunto de operações que são realizadas para atingir um ou mais objectivos, um corpo de princípios que presidem a toda a investigação organizada, um conjunto de normas que permitem seleccionar e coordenar as técnicas. Em relação ao campo das Ciências Sociais, os métodos utilizados baseiam-se em processos com vista a um pensamento metódico, mas incidem em questões mais complexas, como a compreensão desses processos em interacção com a sociedade, nos quais o investigador se envolve e, por isso, enriquece o seu trabalho. Burgess (1997) refere que a investigação social não é uma questão de procedimentos simples e claros, mas um processo social, onde por consequência a interacção entre o investigador e o investigado influencia directamente o curso que o programa de investigação toma. Ou seja, o projecto e a metodologia da investigação estão a ser continuamente definidos e redefinidos pelo investigador porque resultam de uma participação social. A particularidade dos fenómenos educativos (o objecto de conhecimento estudado pelas Ciências Sociais) torna este tipo de investigação bastante complexa e subjectiva e requer métodos que respeitem a sua natureza.

Segundo Sacristán e Gómez (1998) os fenómenos educativos manifestam duas características que os diferenciam de outros fenómenos; por um lado, o carácter radicalmente inacabado dos mesmos, a sua dimensão criativa, auto-formadora, aberta à mudança intencional, e por outro, a relação polissémica entre o significante observável e o significado latente de todo o fenómeno social ou educativo (p.100). A metodologia que estuda os fenómenos sociais e, concretamente, educativos incide na sua observação e compreensão dos seus significados, para uma possível intervenção que construa o conhecimento do objecto estudado. Não é suficiente produzir conhecimento para desenvolver o saber pedagógico; é importante que esse conhecimento se incorpore no pensamento e na acção dos agentes, os professores e os alunos, sendo a transformação e o aperfeiçoamento da prática a intencionalidade e o sentido de toda a investigação educativa.

Bibliografia:

BURGESS, Robert G. (1997). A pesquisa de terreno: uma introdução. Oeiras: Celta Editora;
CARMO, Hermano e FERREIRA, Manuela Malheiro (1998). Metodologia da investigação: guia para a auto-aprendizagem. Lisboa: Universidade Aberta;
SACRISTÁN, J. Gimeno & GÓMEZ, A. I. Pérez (1998). Compreender e transformar o ensino (4ª Ed.). Porto Alegre: Artmed Editora.

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